Escritor defende que Lampião não era gay e corno, como diz livro

30 de novembro de 2011
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Por Anildomá Willans de Souza, pesquisador e escritor do cangaço

Essa opinião deve-se ao livro recém publicado Lampião, o Mata Sete, de autoria do Pedro de Moraes, em que afirma ter sido Lampião um homossexual e Maria Bonita, uma adúltera, formando um triângulo amoroso com o cangaceiro Luiz Pedro. Os inimigos de Lampião daqui do Pajeú já utilizaram os mais diversos adjetivos para expressar o quanto ele era facínora. 

Não foram apenas vinte ou trinta vezes que escutei relatos e depoimentos de Davi Jurubeba, João Gomes de Lira, da família de Zé Saturnino e dos Nogueiras em que jogam Lampião do inferno para dentro. Mas esse tipo de conversa como faz esse juiz aposentado Pedro de Moraes, é demais. Quem ele escutou para se fundamentar e publicar absurdos dessa natureza, ferindo e humilhando os brios das pessoas e das famílias, sem nenhum respeito a história? No dia 29, pela manhã, dia de feira aqui em Serra Talhada, conversei com os filhos e netos de Zé Saturnino sobre esse assunto, e eles disseram-me que deveríamos escrever uma carta de repúdio contra esse escritor. (Claro que ninguém vai fazer carta, mas é a forma de indignação manifestada por eles). Vejam bem, até os mais intrépidos inimigos de Lampião, não apenas contestam tais informações, como acham que é uma covardia.

Na extensa história do cangaço e nos estudos e pesquisas desenvolvidas, muitos  deixam passar desapercebidos  que todos trabalhos históricos precisam de uma metodologia que possa oferece atitude de cientificidade a produção e ajude a esclarecer os espaços em branco dos acontecimentos do decorridos. Sem método não tem como se arquitetar uma história que seja completamente fundamentada na verdade. Não é uma questão de acadêmicos ou daqueles que são detentores de um título adquirido nos bancos universitários e fazem da história uma profissão, mas o método é como se fosse um mapa que faz com que o pesquisador não se embarasse no meio do bombardeio de informações que recebe enquanto entrevista ou pesquisa.

No mesmo nível de importância são os documentos oficiais, cartas, relatos orais, fotografias ou gravuras, mapas e croquis, estes são, pode se dizer, a alma das pesquisas históricas e nos permite discorrer não de forma fortuita, mas nos dão um respaldo de verdade. No entanto, ainda posso afirmar que os documentos, apesar de serem importantes para as pesquisas, não podemos nos deixar levar por eles, pois nem sempre eles são detentores de verdades. Os documentos, quem estuda história sabe disso, devem ser questionados e debatidos.

Devemos conversar com esses documentos e também entender o lugar de sua produção e construção. Assim, nem todo documento explicita a verdade. Posso dizer tranquilamente que o autor não tem as provas documentais – depoimento de algum cangaceiro ou volante, entrevista, fotos ou qualquer uma outra fonte - que prove o que ele diz. Pedro de Moraes é um juiz aposentado, conforme li em alguns comentários. Ele emitiu uma informação baseado apenas no que lhe interessava, não em busca da verdade. Será que era assim que tratava os assuntos nos tribunais quando estava na em exercício do trabalho? Ele conseguiu fazer seu marketing para vender seus livros. Apenas sugiro que não comprem nem por curiosidade.

Quem trabalha com história movimenta com vidas, com existências que deixam recordações e que carecem de respeito. É preciso ter reverência para com o passado, como também para com os vivos do presente que merecem ter pelo menos uma aproximação do que é a verdade. O Pedro Moraes não passa de um estelionatário da história. Ô bicho bom pra levar uma malaca na ‘zurêia!’ Saudações cangaceiras.

20 Respostas para Escritor defende que Lampião não era gay e corno, como diz livro

  1. Severino Malta Cabral on 30 de novembro de 2011 às 15:49

    Manda esse cabra vim lançar esse livro aqui pra nóis dá uns canga-pe no bucho dele pra ele ver quem é viado.

  2. CASSILDO on 30 de novembro de 2011 às 16:17

    Cuidado, Farol, com o ato falho. Em tempos de politicamente correto, deduzir em uma publicação ou fazer deduzir, mesmo no sertão, que ser gay é uma desonra pode, digamos assim, “ferir suscetibilidades” e provocar protesto da ala ofendida. Quanto a Lampião ter sido homossexual, sabemos que não foi tanto quanto sabemos que não foi heroi. Afirmar o contrário é estratégia de marketing para vender livro e faturar sobre o personagem.
    Abraço.

    • CRISTIANE on 1 de dezembro de 2011 às 19:51

      CASSILDO É DESONRA SER GAY SIM. ESSE NEGOCIO DE DIZER QUE ACEITA GAY É PURA DEMAGOGIA.

      • Nordetino on 1 de outubro de 2014 às 16:23

        Se aceitarmos lampião como gay a chacota vai pegar!
        esse livro vai trazer desgraça!

  3. Mary on 30 de novembro de 2011 às 16:20

    Ai, quanta besteira!

  4. Laurindo Cantarelli on 30 de novembro de 2011 às 16:54

    A fíi duma égua, lendo a primeira parte desta matéria me ocorreu….. mas O Capitão Virgulino ter morrido, ô coisa pra fazer pena.

  5. BOLÃO on 30 de novembro de 2011 às 22:05

    O camarada era para ter escrito o livro com lampião vivo,ai ele ia ver onde iam colocar pimenta.

  6. CASSILDO on 1 de dezembro de 2011 às 7:59

    Parabéns, Farol, por ter mudado a manchete da matéria acima após nosso alerta. A manchete anterior trazia um quê de preconceito homofóbico. O politicamente correto nos faz pisar em ovos ao tratar de assuntos melindorosos. Qualquer descuido pode ser fatal.
    Abraço.

  7. PATRICIO on 1 de dezembro de 2011 às 8:00

    ESCRITOR SEM NENHUM RESPALDO, CRIANDO MARKETING PRA VENDER MERCADORIA SEM NOTA. É FACIL DIZER QUE LAMPIÃO ERA HOMOSEXUAL ELE MORREU JÁ FAZ UM BOM TEMPO. DEUS FEZ UMA MULHER PRA VIVER AO LADO DO HOMEM. NÃO FOI OUTRO HOMEM PRA VIVER AO LADO DE OUTRO HOMEM. ISSO NÃO É COISA DE DEUS E SIM DO DIABO. TÁ FALADO DESTILEI MEU VENENO E QUEM ACHAR RUIM NÃO POSSO FAZER NADA.

  8. cristovam ferreira on 1 de dezembro de 2011 às 8:10

    Este escritor e está querendo referência internacional com o cabra do nordeste “VIRGULINO FERREIRA” VULGO LAMPIÃO vai ser gay mas essa cambada que te apoia

  9. Mary on 1 de dezembro de 2011 às 13:10

    No caso, para sermos politicamente corretos, devemos dizer que dos dois atributos – Gay e Corno – que o primeiro é uma qualidade e que o segundo é um grave defeito, pois a militância dos cornos ainda é muito fraca, e estes ainda não conseguiram apoio dos governantes, do poder judiciário e da imprensa para defender a causa deles.

  10. Archimedes Marques on 2 de dezembro de 2011 às 12:51

    Senhores:

    Saber que Lampião era um assassino sanguinário, um homem que praticou todos os crimes possíveis nos seus mais de 20 anos de atuação devastadora e aterradora nos sertões todo mundo sabe, entretanto agora aparece essa novidade que não condiz com a realidade, pois ninguém até hoje ouviu falar disso. A pergunta está em COMO PROVAR?

    Ofender a honra de Lampião chamando-o de viado, corno e impotente baseado somente em provas de OUVIR DIZER é de fato uma temeridade, ainda mais partindo de uma pessoa que já foi juiz de direito, ou seja, UM JUIZ APOSENTADO. O dificil vai ser ele provar pois além de tudo as partes envolvidas desde 1938 já estão mortas, ou seja, Lampião, Maria Bonita e Luis Pedro.

    No meu entender o que a justiça sergipana certamente observou para suspender o lançamento do livro foi o fato da famíla Ferreira (os descendentes de Lampião e Maria Bonita)ter sido a maior atingida, principalmente com a suposição de que EXPEDITA não seria filha de Lampião e sim de Luiz Pedro. Ademais, me parece, que o autor do livro tem apenas como supostas provas do que alega algumas entrevistas que ele fez com algumas pessoas que ouviram outras dizer que Lampião era gay, ou seja, provas evasivas que por certo de nada adiantarão no processo já interposto pela familia. A própria justiça tem como preceito primordial: O DITO E NÃO PROVADO É O NADA JURIDICO. Por isso, com certeza o autor irá pagar uma altíssima quantia de idenização. Talvez até todo o dinheiro que ele arrecadará com a venda dos livros (que logo estará liberado a sua venda) não dê para pagar a dita indenização e assim ele ainda terá que desembolsar algo mais.

    Outro fato interessante é que todos hão de perguntar e há de ser alegado pela defesa da família: Porque os tantos cangaceiros e cangaceiras SOBREVIVENTES DO CANGAÇO que conviveram anos e anos com Lampião, Maria Bonita e Luis Pedro nas guerras do cangaço e nas paragens do bando a descansar nos seus esconderijos, por sinal BARRACAS DE LONA nunca disseram nas suas entrevistas que sequer desconfiavam de tal TRIÂNGULO AMOROSO?… Medo não fazia mais, porque o trio já estava morto. Um segredo desse não se guarda, ainda mais numa sociedade maxista como era e continua sendo o nosso nordeste, destarte para o sertanejo… E o pior: Não tinha nem como se esconder dentro de quatro paredes, pois como falei a casa deles era barraca de lonas… Será que os demais cangaceiros, por menos curiosos que fossem de nada desconfiariam de um possivel menage a trois?… Será que em tanto tenpo de convivencia nunca ouviram sequer uma palavra comprometedora?…

    Assim, a Justiça sergipana resguardou o direito da familia, não o direito de Lampião. Por tudo isso é que entendo que o autor do livro entrou NUM BARCO FURADO.

    Archimedes Marques

  11. Helena Conserva on 2 de dezembro de 2011 às 23:31

    No Sertão é assim: alguns homens buscam em Lampião, referencia para afirmação da sua virilidade (o mesmo que “macheza”), entende? Não há nada demais em ser gay, agora para assumir, precisa ser homem de verdade.

    • Marcos Paulo on 4 de dezembro de 2011 às 16:47

      até que enfim uma pessoa com inteligencia, acho que os GAY são os que estao mais preoculpados em relatar o contrario, LAMPIÃO era uma BIXONA mesmo e dai que qui tem de mais nisso

  12. Cancão on 3 de dezembro de 2011 às 0:14

    Luiz Mott,sociólogo e professor da UFBA,há muito tempo já defende essa tese que
    Lampião foi um tremendo de um gay. Cá pra nós,essas presepadas que Virgulino
    fazia era coisa de gay mesmo.

  13. paulão on 4 de dezembro de 2011 às 15:02

    QUEM DA VALOR A GAY, É GAY TAMBÉM.

  14. paulão on 4 de dezembro de 2011 às 15:04

    cassildo pelo jeito é gay.

  15. Marcos Paulo on 4 de dezembro de 2011 às 16:23

    Se foi GAY ou não isso é uma besteira, o fato é que nenhum brasileiro é mais conhecido de que ele, sua historia é conhecida até fora do pais a varios anos, de que vai mudar isso ou o fato de MARIA BONITA ter colocado chifres nele, eles viviam entre varios homens e mulheres juntos como bando e isso pode até ter acontecido, não se pode provar que sim ou que não, é um assunto chato para familia, mais nem eles estavam lá.
    Não adianta querer saber mais de que ninguem, porque aqui mesmo na cidade tem estudiosos que se contradizem nas afirmações.
    O fato é o seguinte não existirar ninguem como LAMPIÃO, pode aparecer varios valentes, varios corajosos e ate mesmo matadores, mas como ele ninca mais aparecerar alguem.

  16. VINICIUS on 18 de maio de 2012 às 12:31

    SE O HOMEM ERA GAY EU NÃO SEI… SÓ SEI QUE FALAR DO CARA DEPOIS DE MORTO É FACIL… O FATO É SE EU ENCONTRO COM O CABRA EU ME CAGAVA TODO….
    RESPEITO A HISTORIA É IMPORTANTE… PAIS SEM MEMORIA É PAIS SEM CULTURA…
    E QUAL CREDIBILIDADE TEM UM JUIZ….

  17. Archimedes Marques on 13 de junho de 2012 às 9:15

    Conforme falei anteriormente que lançaria o livro contestação ao LAMPIÃO O MATA SETE, já realizei o lançamento em Aracaju. Trata-se de LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE, um livro de 550 páginas todas elas refutanto o seu livro opositor que sem provas algumas diz que Lampião era homossexual e Maria Bonita era uma adúltera, além de tantos outros impropérios inventados. O meu livro resgata a verdadeira história então vilipendiada com o livro Lampião, o Mata Sete.
    Assim, quem tiver interesse em adquirir o meu livro entre em contato com o meu endereço de e-mail: [email protected]

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